sábado, 6 de abril de 2013

Conselhos práticos para “restaurar tudo em Cristo” DON CURZIO NITOGLIA

 
DON CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Gederson Falcometa]
27 de junho de 2009
http://www.doncurzionitoglia.com/mezze_veritas.htm
Monsignor Henri Delassus dizia: «Hoje mais que nunca é preciso dizer a verdade, sem subterfúgios e sem hábeis estratégias. [...] A moral é que as verdades diminuídas não são a Verdade e apenas a Verdade leva consigo a vida; e apenas ela pode dar nos a ressurreição a partir do estado de coma que nos encontramos [...] Jesus confessou a Verdade e com isto venceu o mundo, mesmo que isto lhe tenha custado a morte de Cruz» [1]. E continuava:«Aquele que, hoje, proclama a verdade pela metade, faz mais danos do que quem a nega resolutamente; temos necessidade da Verdade integral. Ou a Fé ou o Eu. Ou o cristianismo nas almas e na sociedade; ou o orgulho, a inveja e todas as paixões desordenadas, que o egoísmo esconde em si, e que a revolução desencadeia [...] tudo aquilo que não é a plena, franca e inteira Verdade religiosa, não pode nada sobre o coração do homem, nem pode remeter a Sociedade civil sobre a estrada”. [2]




Conselhos práticos para “restaurar tudo em Cristo”

1º) Para reformar a Sociedade é preciso primeiro reformar a si mesmo
(Nemo dat quod non habet). “Toda mudança na Sociedade deve ter o seu primeiro princípio nos corações” [3].

2º) Retornar a uma linguagem sincera, evitando palavras equívocas

A palavra exprime a idéia e a idéia a coisa. Então, se queremos falar de coisas reais, e não de quimeras abstratas, devemos usar palavras que exprimam a essência das coisas. Devemos adequar a nossa linguagem e a nossa mente a realidade, dar as palavras o seu verdadeiro significado, apenas assim chegaremos a verdade (Veritas est adaequatio rei et intellectus), sem recair no erro nominalista.
Então, será necessário recusar a ‘fraseologia corrompedora e confusionária’ da filosofia moderna e idealista, que confunde as idéias e corrompe a verdade. Os subversivos “fazem adotar palavras corrompedoras; por meio disso insinua-se idéias falsas e corruptas, e as idéias preparam a via aos fatos sediciosos e revolucionários” [4].

3°) Retornar a plena verdade filosófica-teológica

O erro atual é a negação do pecado original. O Homem é “Imaculado”, então não tem necessidade de redenção, de Cristo, da Igreja, de Sacerdócio, de Graça; basta lhe apenas a natureza que é semi-deificada. Ao invés, é preciso difundir “o catecismo nas massas, a filosofia perene e a teologia escolástica nas classes instruídas: apenas neste passo se pode obter a saúde [...] Ou a Fé ou o Eu. Ou o império do cristianismo [...]; ou o orgulho, a inveja e todas as paixões que o egoísmo encerra e a Revolução desencadeira” [5].

4º) Encorajar o homem ao esforço

A inércia debilita, o esforço vivifica! A preguiça é um vício funesto porque pára o desenvolvimento do indíviduo, da família e da Sociedade Humana. “O homem que não tem mais que trabalhar e combater se corrompe, e assim a nação” [6]. Em suma:”o ócio é o pai de todos os vicíos” e “Baco, Tabaco e Vênus, as cinzas reduzem o homem”, diz o provérbio.

5º) Quem pode, depois de Deus, ou melhor, por meio de Deus, reproduzir tudo isto?

“Aquele que foi chamado uma primeira vez a restabelecer sobre a verdade a ordem social [...]: o homem da teologia, o padre [...] Mas para estar a altura desta obra, é preciso que o padre recupere a confiança em si mesmo, ou melhor na virtude sobrenatural que a S. Ordenação nele depositou” [7].

Saudáveis considerações “pastorais”

“A instauração do reino de Cristo na sociedade, é uma meta de que se devem ocupar todos os fiéis [...]. Antes de todas as outras coisas, é necessário que Cristo reine nas nossas almas [...] depois na nossa família [...]. Assinalamos a influência nefasta que desenvolve no ambiente familiar a televisão, as revistas, os livros leves ou mesmo imorais. As boas famílias podem unir-se em grupos sociais mais amplos: ”Ai do solitário” diz as S. Escrituras. Assim de tantas famílias cristãs pode nascer uma Sociedade cristã, como já sucedeu nos séculos passados. [...] Os cristãos devem agir na vida pública, com a finalidade de impedir a aprovação de leis contrárias à fé e a moral cristã [...] Na realidade, muitos de nós, educados pelo desencorajamento e relaxamento, pensam que a Providência de Deus se tenha se revelado insuficiente para conter a malícia em que hoje o mundo se encontra submerso. Mesmo que não tenhamos a coragem, ou melhor, a estultícia de dizê-lo abertamente, de fato, pensamos que a apostasia da Sociedade, seja tão profunda que agora não é mais possível falar do Reino social de Cristo! [...], O naturalismo nos conduziu a confiar apenas nas forças humanas a esquecer a onipotência da graça [...].

Para concluir: Nos podem faltar todos os meios para difundior o Reino de Cristo: ciência, saúde, carisma pessoal, capacidade de ser alimentadores das multidões ou como se diz hoje de ser ‘leaders’, tudo em suma; mas o grande meio da oração não nos falta nunca” [8].
Un provérbio flamenco diz: “são mais fortes duas mãos juntas em oração, que dois punhos prontos a golpear”! Ainda que um não exclua o outro, mas devem ser hierarquicamente subordinados.

Nossa Senhora pode nos fazer vencer a peste da idade moderna

O Cardeal Otavianni, escrevia, não faz muito tempo: “Maria nos nossos tempos: a Sociedade moderna é atormentada por uma febre de renovamento que faz medo e é infestada por homens que se prevalecem de tanto sofrimento nosso para construir o império de seus arbítrios, a tirania dos seus vícios, o ninho da luxúria e de rapinagens. Mas o mal assumiu características mais vastas e apocaliptícas, jamais conhecemos tantos outros perigos. De uma hora para outra nós podemos perder não apenas a vida, mas toda civilização e toda esperança [...]. Parece que também a nós diga o Senhor ‘não é ainda chegada a minha hora’, mas a Imaculada, a mãe de Deus, a Virgem que é a imagem e a tutela da Igreja, Essa nos deu já a Cana, a prova de saber e poder obter a antecipação da hora de Deus. E nós temos necessidade de que esta hora venha rápido, venha antecipada, venha feita imediata, porque quase podemos dizer: ‘Ó Mãe, nós não podemos mais!’ [...]. Pelos nossos pecados nós merecemos os últimos excídios, as mais implacáveis execuções. Nós cassamos o seu Filho das escolas e das oficinas, dos campos e das cidades, das ruas e das casas. O cassamos das próprias igrejas [...] preferimos Barrabás. É verdadeiramente a hora de Barrabás [...] Com tudo isto, confiantes em Maria, sentimos que é a hora de Jesus, a hora da redenção [...] Diga Maria, como em Cana: ‘Eles não tem mais vinho’; e o diga com a própria potência de intercessão e se Ele hesita, se si nega, a vencer suas hesitações como vence, por materna piedade, as nossas indignidades. Seja Mãe piedosa para conosco, Mãe imperiosa para Ele. Acelere a sua hora, que é a nossa hora. Não podemos mais, ó Maria. A humana geração perece, se tu não te move. Fala por nós, ou silência, fala por nós, ó Maria!” [9]

Conclusões

Sobretudo agora, com a recrudescência do neo-modernismo, não devemos nos iludir de poder “restaurar tudo em Cristo” (S. Pio X) sem falar claro e forte, sem medo do rancor dos inimigos e sob aparência de falsa prudência, silenciar sobre questões candentes, que poderia parecer não diretamente conexa ao dogma, mas que ao contrário são de vital importância para a sua afirmação ou negação.
Uma dessas questões diz respeito ao diálogo inter-religioso especialmente com o judaísmo, que fez a brecha na Igreja graças ao tema da ‘shoah’, apresentada por Jules Isaac a João XXIII e ao Cardeal Agostino Bea, e que foi usado como “pé de cabra” para minar e entrar na sessão conciliar onde levou confusão, fumaça e obscuridade ao ambiente eclesial. Apenas indo a origem do mal ele poderá ser debelado, dizendo toda a verdade sem diluição.




Notas:

[1] H. Delassus, Vérités sociales et erreurs démocratiques, Desclée, de Brouwer, Lille, 1909, rist. 1986 éd. Sainte Jeanne d’Arc, Villegenon, pp. 384-391.
[2] Ibidem, pp. 399-400.
[3] H. Delassus, Il problema dell’ora presente. Antagonismo tra due civiltà, II vol.,La rinnovazione e le sue condizioni, Roma, Desclée, 1907, pag. 156.
[4] Ibidem, pp. 201.
[5] Ibidem, pp. 304 e 324.
[6] Ibidem, pag. 470.
[7] Ibidem, pag. 629 e 624.
[8] A. De Castro Mayer, Carta Pastoral sobre a Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, 8 dic. 1976, ed. Vera Cruz, San Paolo, 1977.
Cfr. anche:
A. De Castro Mayer, Problemi dell’apostolato moderno, Napoli, Dall’Albero, 1964, cap. VI, Sul razionalismo, sull’evoluzionismo, sul laicismo. Cap. VII, Sulle relazioni tra Stato e Chiesa. Cap. VIII, Su questioni politiche, economiche e sociali, pagg. 83-111.
[9] A. Ottaviani, Il baluardo, Ares, Roma, 1961, pagg. 279-283.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Amor não é amado!


O camponês perguntou: Que aconteceu,
irmão, por que estás chorando?
O Irmão respondeu:
Meu irmão,
o meu Senhor está na Cruz
e me perguntas por que choras?

Quisera ser neste momento
o maior oceano da terra,
para ter tudo isso de lágrimas.

Quisera que se abrissem
ao mesmo tempo todas
as comportas do mundo
e se soltassem
as cataratas
e os dilúvios
para me emprestarem
mais lágrimas.

Mas ainda que juntemos
todos os rios e mares,
não haverá lágrimas
suficientes para chorar
a dor e o amor
de meu Senhor crucificado.

Quisera ter as asas invencíveis
de uma águia para atravessar
as cordilheiras e gritar
sobre as cidades:

O Amor não é amado!
O Amor não é amado!

Como é que os homens podem amar
uns aos outros se não amam o Amor?


São Francisco de Assis

A Sagrada Hierarquia

A pomba representa o Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Ao centro, o Santo Padre (então Pio XII) como cabeça visível da Igreja, portando o Triregnum (Tiara Papal, que indica Seu tríplice poder: Pai dos príncipes e reis, Reitor do Mundo e Vigário de Cristo), e o Pálio ao redor do pescoço (símbolo do Bom Pastor, representando a plenitude de Seu poder e do munus pontifício, podendo ser utilizado em qualquer parte do mundo, em função da sua jurisdição universal).

O Santo Padre é cercado por dois Cardeais, Príncipes da Igreja, com suas vestes vermelhas. No rito de imposição do galero cardinalício, lemos que a cor vermelha indica que o Cardeal deve mostrar-se intrépido na exaltação da Fé Católica, da paz e da prosperidade do povo cristão e na conservação e no crescimento da Santa Igreja até a efusão de seu sangue (o martírio).

Ao lado esquerdo do Santo Padre, um Bispo com a Mitra e o Báculo. Ao lado direito, um Arcebispo com o Pálio ao redor do pescoço (símbolo da comunhão com o Papa) e a Cruz Patriarcal ou Arcebispal, com duas barras transversais, sendo a primeira – mais curta – a representação do "titulus crucis" que Pôncio Pilatos mandou pregar na Cruz de Cristo, e a segunda a própria barra horizontal da Cruz. A título de curiosidade, se houvesse três barras, teríamos a Hierofante (Cruz Papal que simboliza o tríplice poder do Papa como Bispo de Roma, Patriarca do Ocidente e Sucessor de São Pedro).

Ainda ao lado esquerdo do Papa, um Padre com sua Estola e, no outro extremo, um Monsenhor (não Bispo) também portando sua Estola.

Fonte: Thiago Maria.

DECLARACIÓN DEL AÑO 1974

DECLARACIÓN DEL AÑO 1974

LEÍDA POR MONSEÑOR MARCEL LEFEBVRE
EN EL SEMINARIO INTERNACIONAL SAN PÍO X DE ECÔNE,
EL 21 DE NOVIEMBRE DE 1974


Nos adherimos de todo corazón, con toda nuestra alma, a la Roma católica guardiana de la fe católica y de las tradiciones necesarias al mantenimiento de esa fe, a la Roma eterna, maestra de sabiduría y de verdad.

Por el contrario, nos negamos y nos hemos negado siempre a seguir la Roma de tendencia neomodernista y neoprotestante que se manifestó claramente en el Concilio Vaticano II y después del Concilio en todas las reformas que de éste salieron.

Todas esas reformas, en efecto, contribuyeron y contribuyen todavía a la demolición de la Iglesia, a la ruina del Sacerdocio, al aniquilamiento del Sacrificio y de los Sacramentos, a la desaparición de la vida religiosa, a una enseñanza naturalista y teilhardiana en las universidades, los seminarios, la catequesis, enseñanza nacida del liberalismo y del protestantismo, condenada repetidas veces por el magisterio solemne de la Iglesia.

Ninguna autoridad, ni siquiera la más elevada en la Jerarquía, puede constreñirnos a abandonar o a disminuir nuestra fe católica claramente expresada y profesada por el magisterio de la Iglesia desde hace diecinueve siglos.

“Si llegara a suceder, dice san Pablo, que nosotros mismos o un ángel venido del cielo os enseñara otra cosa distinta de lo que yo os he enseñado, que sea anatema” (Gál. 1, 8).

¿No es esto acaso lo que nos repite el Santo Padre hoy? Y si una cierta contradicción se manifestara en sus palabras y en sus actos así como en los actos de los dicasterios, entonces elegimos lo que siempre ha sido enseñado y hacemos oídos sordos a las novedades destructoras de la Iglesia.

No es posible modificar profundamente la “lex orando” sin modificar la “lex credendi”. A la misa nueva corresponde catecismo nuevo, sacerdocio nuevo, seminarios nuevos, universidades nuevas, Iglesia carismática, pentecostal, todas cosas opuestas a la ortodoxia y al magisterio de siempre. Habiendo esta Reforma nacido del liberalismo, del modernismo, está totalmente envenenada; sale de la herejía y desemboca en la herejía, incluso si todos sus actos no son formalmente heréticos. Es pues imposible a todo católico consciente y fiel adoptar esta Reforma y someterse a ella de cualquier manera que sea. La única actitud de fidelidad a la Iglesia y a la doctrina católica, para nuestra salvación, es el rechazo categórico a aceptar la Reforma.

Es por ello que sin ninguna rebelión, ninguna amargura, ningún resentimiento, proseguimos nuestra obra de formación sacerdotal bajo la estrella del magisterio de siempre, persuadidos de que no podemos prestar un servicio más grande a la Santa Iglesia Católica, al Soberano Pontífice y a las generaciones futuras.

Es por ello que nos atenemos firmemente a todo lo que ha sido creído y practicado respecto a la fe, las costumbres, el culto, la enseñanza del catecismo, la formación del sacerdote, la institución de la Iglesia, por la Iglesia de siempre y codificado en los libros aparecidos antes de la influencia modernista del Concilio, esperando que la verdadera luz de la Tradición disipe las tinieblas que oscurecen el cielo de la Roma eterna.

Y haciendo esto, con la gracia de Dios, el auxilio de la Virgen María, de San José, de San Pío X, estamos convencidos de mantenernos fieles a la Iglesia Católica y Romana, a todos los sucesores de Pedro, y de ser los “fideles dispensatores mysteriorum Domini Nostri Jesu Christi in Spiritu Sancto”. Amén.

Ecône, 21 de noviembre de 1974.

segunda-feira, 18 de março de 2013

A METÁFORA DA GAIVOTA

"Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus" (São João 16, 2).

A METÁFORA DA GAIVOTA


por Giulia d'Amore di Ugento


Segundo blogs italianos (e me pareceu também), as aves que sobrevoavam a Basílica de São Pedro, durante o Conclave, não eram poéticas pombas – como querendo simbolizar a presença ou anuência ou alegria do Espírito Santo – mas... profanas gaivotas, da espécie “Larus argentatus”, uma referência à cor: prata. A mesma raiz de onde vem a palavra Argentina... O que, de uma forma ou de outra, tornaria as aves proféticas ou sobrenaturais.

Em busca de algo que desse significado a esta “profecia alada”, me deparei com o célebre livro de Richard Bach: “Fernão Capelo Gaivota”, de 1970, que a maioria de minha geração certamente leu, na adolescência. Certamente, em suas linhas quase que poéticas, inspirou a rebeldia aos pais, aos superiores, à ordem e à Tradição, em muitos de minha geração.

A “metáfora da gaivota” que exsurge do livro de Bach é a busca pela liberdade modernamente entendida, ou seja, a ruptura com Deus, a revolução. Misturando verdades com falácias, trata-se, enfim, da filosofia do “viver pelo viver”, seguindo os instintos e... o coração! Do romper com a tradição da sociedade em que se vivem vencendo o medo da mudança... E a força de vontade de vencer os “preconceitos estúpidos” e se rebelar à ordem preestabelecida... a Deus.

Em resumo... a liberdade religiosa, o relativismo, Bergoglio...

Não, senhores, não eram pombas brancas, auspício de uma renovação benéfica da Igreja, voltando à Tradição bimilenar que a manteve de pé nos últimos 2000 anos. Eram gaivotas, profanas e sombrias, a anunciar um novo tempo, de quebra definitiva com a Tradição, deixando para trás e a beleza de seus paramentos, a solenidade de suas celebrações, o sagrado, o Mistério.

Bergoglio não surgiu do nada. Não foi uma surpresa entre os cardeais. De tudo o que a mídia tem publicado nesses dias – verdades e mentiras – começa a tomar corpo a suspeita de que o Conclave não passou de uma mera formalidade, para dar validade à escolha feita bem antes e que redundou na renúncia de Bento XVI. As “forças” que lhe faltaram foram, certamente, as de promover logo as mudanças que agora Bergoglio fará. Sem temporizar, sem enrolação, sem demora e sem... cerimônias.

No próximo dia 19 de março – dia do Patrono da Igreja (sic!!!) – não veremos a coroação de um Monarca (coisa que Bergoglio simplesmente abomina e recusa), mas a posse do Presidente da Igreja Conciliar, fundada pelo Concílio Vaticano II, em total ruptura com a Tradição da Igreja Católica.

O primeiro discurso dele deixa bem claro que ele não se vê como “Papa da Igreja Católica”, mas como “Bispo de Roma” – enfatizou bem isso, inclusive chamando a Bento XVI de “Bispo” emérito. Enfatizou também que o Conclave se reuniu para isso, para “dar um Bispo a Roma”, unicamente. Para ele, é claro que a figura do Papa não tem mais razão de ser, assim como para os demais protestantes, que se reúnem em comunidades (paróquias) independentes, cada uma governando-se a seu bel prazer.

O deboche é o tom que o distingue. Seu primeiro discurso começou com uma piada, “só para descontrair”. E, desde então, tem demostrado isso em vários momentos:
- pagando a conta do hotel, como se isso fosse absolutamente necessário e não pudesse enviar, humildemente e em segredo (não saiba a mão direita o que a esquerda faz), um office-boy;
- visitando o túmulo de São Pio V e postando-se em pé diante dele... a rezar? Ou a debochar dele pelo que viria (e ainda virá) a fazer? A que título a visita? Qual a ligação entre eles? E ainda houve quem visse nisso um bom pressagio...;
- recusando-se a usar os paramentos sagrados (carnavalescos, segundo ele) e, sobretudo, os sapatos vermelhos. Humildade? Falaremos isso em seguida.
O Capitão Nascimento o chamaria de “um fanfarrão”. Infelizmente, este não vai pedir para sair. Veio para ficar. Tem uma tarefa a cumprir e, não se enganem, a cumprirá.

Sobre as acusações de ligações com a ditadura argentina, de dizer que eu abomino comunistas, e algumas “perdas” são ossos do ofício, para ambos os lados. O que “pega” com Bergoglio é que não se tratou de convicção religiosa (ou política, no caso dele), mas de banal e prosaico oportunismo. Eu, particularmente, desconfio de todos os políticos e religiosos de esquerda que “sobreviveram” à ditadura, tanto argentina quanto brasileira. É muito conveniente. 

Enfim, sobre a humildade franciscana de Bergoglio.

Recusar-se a usar o que é práxis na Igreja para um Papa, fruto da História e da mensagem da Igreja não é HUMILDADE, mas ARROGÂNCIA.

Uma arrogância evidenciada, sobretudo, quando se descobre que, ao invés de usar “os paramentos dos quais está abarrotada a sacristia de São Pedro (e que, portanto, não custariam nada). Preferiu encomendar — e pagar caro, consequentemente — um set [conjunto] de novas casulas para si e para a multidão daqueles que concelebrarão”. (Fratres In Unum). 
Também se recusa a usar “a cruz peitoral de ouro (que já está lá, e não custaria um centavo)” – (idem) – para usar a dele, de Cardeal, presumo...

CARNAVAL? 

AQUI?

OU AQUI? 

 

SABEDORIA DAS ESCRITURAS E DE SANTOS:

"Alguns Papas, Deus nos dá. A alguns, Ele tolera. Outros, nos inflige". São Vicente de Lerins

"Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus". (São João 16, 2)

“Jamais se vence o erro sacrificando-se qualquer direito da verdade.” Santo Irineu

"Não se opor ao erro é aprová-lo e não defender a verdade é suprimi-la; com efeito, não denunciar o erro daqueles que praticam o pecado quando o podemos fazer não é pecado menor do que apoiá-los". (I Epístola do Papa São Félix III ao Bispo Acácio, de Constantinopla, de 483.)

“Tanto quanto está autorizado a resistir a um Papa que comete uma agressão física, do mesmo modo é permitido resistir-lhe, se faz mal às almas ou perturba a sociedade e, com mais forte razão, se procurasse destruir a Igreja. É permitido, digo,  opor-se a ele não cumprindo as suas ordens e impedindo que a sua vontade seja realizada. Não é lícito, contudo, julgá-lo, impor-lhe uma punição, nem o depor, pois estes são atos próprios a um superior” (São Roberto Bellarmino, De Romano Pontifice, livro II, capítulo 29)

"A obediência cega não é católica; ninguém está isento da responsabilidade por ter obedecido aos homens mais que a Deus, aceitando ordens duma autoridade superior, seja ela do Papa, se se revelam contrárias à vontade de Deus tal como a Tradição no-la faz conhecer com certeza. Não se poderia considerar uma tal eventualidade, certamente, quando o Papa compromete sua infalibilidade, mas ele não o faz senão num número reduzido de casos. É um erro pensar que toda a palavra saída da boca do Papa é infalível." (Monsenhor Marcel Lefebvre, Carta Aberta aos Católicos Perplexos, capítulo 21).

“No dia do juízo, Deus nos perguntará se temos sido fiéis e não se temos obedecido às autoridades infiéis. A obediência é uma virtude relativa à Verdade e ao Bem. Não é uma virtude, mas um vício, se ela se submete ao erro e ao mal”. (Mons. Lefebvre, carta de 9 de agosto de 1986).

"A Igreja romana nunca errou, e segundo o testemunho das Escrituras nunca cairá no erro." - Papa São Gregório VII - COMO PODEM ESTAR ERRADOS 265 PAPAS ANTES DELE? NÃO PODE HAVER DUAS VERDADES... OU É VERDADE O QUE FAZIAM OS PAPAS ANTES DELE... OU É VERDADE A "OPINIÃO" DELE...

 
“O mundo passa, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece para sempre” (I Jo 2, 17)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PADRE JULIO MARIA


"A perfeição exige esforços, lutas, combates. Nosso Senhor me deu o exemplo, - Ele se tornou verme da terra. Se houvesse um outro meio de conquistar o céu, Ele nos teria mostrado. Mas não há. É pelas lutas, humilhações, desprezo que Ele passou e fez passar Sua Mãe, Seus Apóstolos e Seus santos. Nenhuma exceção. Deve ser portanto a verdadeira e única via. A vontade de entrar nesta via não é suficiente. É preciso a ação, a ação sustentada. Meu Deus, eu quero entrar. Desde hoje, tomo a Vossa Cruz, e quero levá-la na humilhação, no sofrimento. Eu quero tornar-me um santo. Sustentai-me, dai-me a Vossa graça para jamais desfalecer. Que nenhuma dificuldade me faça desistir. A vista de J. M. J. (Jesus, Maria e José) deve me encorajar eu devo me sentir feliz por seguir as Suas pegadas, humilhado como eles, pobre e obediente como eles."

"União com Deus e, para isso, grande modéstia dos olhos e discrição nas minhas palavras a fim de fazer todas as minhas ações para a maior glória de Deus e exterminar o meu amor próprio. Praticar, nas sextas-feiras e sábados, o voto do mais perfeito, sem fazer disto o voto, por simples promessa a Nosso Senhor e a Maria. - Escolher, nesse caso, entre diferentes coisas boas, o que menos me apetece. "
Notas espirituais do Padre Júlio Maria de Lombaerde, retiradas do livro Règlement

terça-feira, 17 de abril de 2012

A Lei Natural

Por Walfran Fonseca

Para fazer o “homem bom”, além do corpo e da mente, é necessário cultivar e formar a vontade e a liberdade.

A liberdade é dada ao ser humano para que se torne o artífice de si mesmo. Com a liberdade, ele toma, nas mãos, o próprio ser e plasma-o à sua vontade; pode torna-lo paciente, culto, gentil, generoso, casto, piedoso ou agressivo, rude, invejoso, ganancioso, luxurioso etc.

A liberdade não é sinônimo de bondade, porque nem tudo aquilo que a pessoa faz com a sua liberdade contribui para o aperfeiçoamento e realização do seu ser, ou seja, a alcançar o fim último. Assim, se a pessoa escolhe livremente fazer aquilo que é conforme o fim último, então realiza uma ação boa; se ao invés a sua escolha permanece naquilo que não é conforme o fim último, então realiza uma ação má.

A lei natural nos permite determinar a qualidade das nossas ações, enquanto nos mostra se elas estão ou não em harmonia com o fim último. Devemos reconhecer que cada realidade possui, estruturalmente, uma tendência a determinados bens que são capazes de completar e enriquecê-la. Em cada um de nós, encontramos uma inclinação, uma tendência, um dinamismo para o bem proporcionado que constitui a perfeição que nos é própria.

Contudo, o modo como as diversas realidades tendem ao fim é diferente, conforme elas possuam ou não inteligência e liberdade. Todos os seres obedecem a uma “lei natural”, têm um dinamismo próprio e intrínseco e uma tendência aos bens que se conformam a eles. Por isso, a pessoa humana, enquanto age segundo razão e liberdade, é chamada a descobrir as aspirações profundas da própria natureza e a tender responsavelmente para aqueles bens que são conforme às exigências inscritas no próprio ser.

Portanto, a lei natural existe em todos os seres, mas somente a pessoa humana tem a capacidade e a tarefa de descobrir os ditames e segui-la exercitando a própria vontade livre. Assim, devemos fazer uma distinção entre a lei natural “física”, que nos leva a agir de modo determinado e necessário, segundo a própria natureza, e a lei natural “moral”, que nos obriga, enquanto seres inteligentes, como imperativo moral, mas sem nos constranger fisicamente.

Segundo a filosofia cristã, a lei natural é a lei eterna de Deus comunicada à criatura com e mediante a natureza. Tudo que existe ou pode existir está sujeito à divina Providência e é regulada pela lei eterna. A lei natural pode ser definida como o “programa” inscrito pelo Criador no ser humano e, por isso, ele possui em si o critério para distinguir as ações boas e morais das más e imorais.

A pessoa, enquanto ser racional, participa da lei eterna conforme à própria natureza inteligente e livre. Assim, diferentemente, dos animais que participam da lei natural através do instinto, e dos seres inanimados que participam mediante uma disposição puramente física ou mecânica, a criatura humana tem a faculdade de escolher a modalidade para realizar-se. Isto significa que devemos “apropriar-nos” da lei que regula a própria natureza, tornando-a consciente. Essa apropriação em nível de consciência e responsabilidade implica sobretudo a descoberta dos princípios da lei natural e a orientação do próprio comportamento em conformidade com tais princípios.

A lei natural exprime as finalidades próprias da natureza humana e indica a ordem racional segundo a qual a pessoa é chamada pelo Criador a dirigir e regular a sua vida e os seus atos. O princípio fundamental que brota da natureza humana é que a criatura racional, no seu modo de agir, deve respeitar a tipologia da própria natureza; ela deve agir “racionalmente”, que para todo ser humano significa: “é preciso fazer e buscar o bem e evitar o mal”.

Esse princípio universalíssimo é evidente e noto a todos. Contudo, é preciso individuar o bem que se deve fazer e o mal que se deve evitar. A razão colhe espontaneamente sob o aspecto de bem tudo aquilo que corresponde às tendências essenciais e inatas da natureza e julga como mal tudo aquilo que contrasta com as inclinações naturais. As inclinações são: a tendência à conservação da própria existência; a tendência à conservação da própria espécie; e enfim, a tendência a conhecer a verdade e a viver em sociedade.

Dessa maneira, a lei natural tem três características fundamentais: a universalidade, a imutabilidade e a cognoscibilidade. É universal porque comum a todos os seres humanos; é imutável porque não mudando a essência humana permanecem imutáveis as exigências de bem; é cognoscível porque todas as pessoas podem conhece-la nos seus princípios fundamentais que lembram constantemente o bem que se deve realizar e o mal que se deve evitar.

Para compreender melhor essas três características da lei natural, é importante sublinhar que a existência da lei e a consciência da lei são duas coisas distintas. Assim, a consciência de qual seja o bem que se deve perseguir e o mal que se deve evitar pode ser diferente conforme o povo, a cultura, o tempo; ela está sujeita a progressos e as vezes também a retrocessos, se é ofuscada pelas paixões, ou também se é desviada por costumes contrários à lei natural e radicados profundamente na cultura de um povo.

Fonte: http://philosophus.walfran.com/?paged=2